STF promove curso nacional para fortalecer atuação de mulheres na segurança institucional
Na abertura, ministra Cármen Lúcia destacou importância de ampliar protagonismo feminino em todas as áreas do Judiciário, especialmente na segurança institucional
O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou, entre 28 e 30/4, evento voltado ao fortalecimento da segurança institucional com perspectiva de gênero. Participaram da abertura do Curso Nacional de Mentalidade Preventiva e Porte Velado para Mulheres, na tarde do dia 28, a ministra Cármen Lúcia, a diretora-geral do STF, Desdêmona Arruda, e o secretário de Polícia Judicial da Corte, Marcelo Schettini.
A capacitação reuniu 25 participantes, entre magistradas que integram comissões de segurança de tribunais e policiais judiciais com atuação na área, especialmente em Brasília. O objetivo foi promover uma formação técnica especializada, alinhada às demandas reais enfrentadas por mulheres na atividade.
Na abertura, a ministra Cármen Lúcia destacou a importância de ampliar a presença e o protagonismo feminino em todas as áreas do Judiciário, especialmente na segurança institucional, historicamente marcada pela baixa participação de mulheres. Segundo ela, a inclusão feminina contribui para aprimorar a prestação de serviços e refletir de forma mais fiel a realidade social do país.
“A presença feminina precisa ser assegurada com condições reais de igualdade, considerando as diferenças existentes. É fundamental que as mulheres ocupem espaços de decisão, comando e formação”, afirmou.
A ministra apontou ainda os desafios enfrentados pelas mulheres para ocupar esses espaços, citando exemplos de resistência e sub-representação, e enfatizou a necessidade de aprendizado conjunto entre homens e mulheres para fortalecer a cidadania e garantir serviços públicos mais eficientes e inclusivos.
Ela também lembrou o esforço institucional para ampliar essa participação, inclusive por meio de concursos públicos e da valorização de mulheres como instrutoras e referências na área. “Há um movimento concreto para que as mulheres não apenas integrem esses espaços, mas sejam protagonistas, contribuindo com sua experiência e com uma nova forma de perceber e atuar na segurança”, disse.
Eficiência da resposta institucional
O curso foi estruturado a partir da constatação de que protocolos, metodologias e equipamentos na área de segurança foram historicamente desenvolvidos com base em parâmetros predominantemente masculinos. O aumento da presença feminina em funções operacionais e estratégicas torna necessário adaptar práticas e treinamentos, considerando aspectos como mobilidade, ergonomia, resposta psicomotora e acesso a equipamentos.
A programação abordou consciência situacional, condutas preventivas e defesa pessoal, com foco na capacidade de identificar riscos, interpretar o ambiente e tomar decisões de forma antecipada.
Também houve capacitação técnica e operacional de policiais judiciais, incluindo treinamento em uso progressivo da força, deslocamento, reação em cenários críticos e adequação de equipamentos à realidade funcional das participantes. A formação buscou aprimorar a eficiência da resposta institucional, com técnicas ajustadas às especificidades do público feminino.
Poder Judiciário
A iniciativa está alinhada à Resolução CNJ 668/2026, que prevê a instituição, pelos tribunais, de programas para a aplicação de protocolo integrado de prevenção e de medidas de segurança voltados ao enfrentamento da violência doméstica e familiar contra magistradas, servidoras e demais colaboradoras do Poder Judiciário.
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