STF proíbe contratação temporária para funções da polícia penal em Goiás 

Estado terá dois anos para regularizar quadro de pessoal 

19/10/2026 19:39 - Atualizado há 2 horas atrás
Fotografia de uma cerca de arame farpado de um presídio. À esquerda, uma placa com o texto Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o Estado de Goiás não pode contratar temporariamente vigilantes penitenciários para exercer funções próprias da polícia penal. A decisão unânime foi tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7069. 

A ação foi proposta pela Associação dos Policiais Penais do Brasil (Ageppen-Brasil) contra trechos da Lei estadual 20.918/2020 e do Decreto estadual 9.812/2021 que autorizam a contratação temporária de pessoal para atender a necessidades excepcionais de interesse público, inclusive na área de segurança pública. A associação questionava a possibilidade de usar esse regime para contratar vigilantes penitenciários temporários para atuar no sistema prisional. 

Corpo profissional próprio e estável 

Seguindo o voto do relator, ministro Nunes Marques, o Tribunal considerou a medida inconstitucional. O ministro explicou que a Emenda Constitucional (EC) 104/2019 inseriu as polícias penais federal, estaduais e distrital no sistema constitucional de segurança pública e definiu o concurso público e a transformação dos cargos preexistentes como formas de ingresso na carreira. 

Segundo Nunes Marques, a emenda atribuiu caráter permanente e institucional a essa função e reconheceu que ela exige um “corpo profissional próprio, qualificado, submetido a seleção impessoal e integrado de forma estável à estrutura estatal”. No caso de Goiás, o ministro observou que a contratação temporária era usada para suprir deficiência de pessoal na própria estrutura responsável pela vigilância dos estabelecimentos penais. 

Por fim, o relator ressaltou que a restrição não impede toda e qualquer contratação temporária no âmbito da administração penitenciária. Essas contratações podem ser adotadas para funções diversas das atribuições próprias da polícia penal, e os requisitos constitucionais devem ser preenchidos. 

Segurança jurídica 

Para preservar a segurança jurídica e a continuidade do serviço público, o Plenário definiu que a decisão só terá efeitos após dois anos da publicação da ata do julgamento, em 30 de setembro de 2026. O prazo permitirá que Goiás adote as medidas necessárias para regularizar seu quadro de pessoal. 

A ADI 7069 foi julgada na sessão virtual encerrada em 25 de setembro. 

(Gustavo Aguiar/CR,AD//CF) 

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