Profissionais da imprensa relatam cobertura dos atos antidemocráticos

Roda de conversa fez parte da programação que marcou os três anos dos ataques aos prédios dos Poderes da República

08/01/2026 19:05 - Atualizado há 4 semanas atrás
Jornalistas relembram ataques ao STF de 8 de janeiro de 2023 Foto: Luiz Silveira/STF

Jornalistas que cobriram os ataques de 8 de janeiro de 2023 relataram, em uma roda de conversa, o que viram e ouviram naquele dia. Palavras como violência extrema, desinformação e vandalismo foram lembradas com destaque nos depoimentos. O encontro com os profissionais de imprensa ocorreu na tarde desta quinta-feira (8) e integrou a programação do evento “8 de janeiro: um dia para não esquecer”, promovido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para marcar os três anos da data.

Imprensa

“O Tribunal está preparado para a invasão?” Essa foi a primeira demanda que a jornalista Gabriela Guerreiro, então coordenadora de Imprensa do STF, recebeu naquela manhã. Na sequência, as mensagens se multiplicaram. Foram quase mil questionamentos da imprensa nacional e internacional apenas no dia 8 de janeiro.

A equipe da Secretaria de Comunicação Social do STF foi acionada ainda no domingo e, mesmo com as dificuldades de acesso ao prédio e aos sistemas do Tribunal, conseguiu assegurar a cobertura jornalística daquele momento histórico. “Nunca vivi, na vida profissional, tamanha dor, mas, ao mesmo tempo, tamanha vontade. Hoje eu digo que foi um prazer atuar naquele dia, pela resposta que conseguimos dar à sociedade, mesmo enfrentando tantas dificuldades”, afirmou.

Indícios

Para Gabriela Biló, fotojornalista da Folha de S. Paulo, a grande força do 8 de janeiro foi a indignação provocada pelos atos violentos, o que, em sua avaliação, possibilitou investigar e responsabilizar os envolvidos.

Ela detalhou o passo a passo dos registros fotográficos que realizou naquele dia, mas lembrou que os ataques à democracia começaram muito antes de janeiro daquele ano. Biló apresentou imagens do desfile de blindados na Esplanada dos Ministérios no dia em que o Congresso Nacional votava a proposta de emenda constitucional do voto impresso, em agosto de 2021. “Já havia indícios. O 8 de janeiro foi a última tentativa, a cereja do bolo, o último suspiro da tentativa de golpe”, afirmou.

Segurança

Weslley Galzo, repórter do jornal O Estado de S. Paulo, foi um dos poucos jornalistas a conseguir entrar no Plenário do STF naquele domingo. Ao sair de casa, sabia que não seria uma cobertura trivial. “Era nítido que seria de violência extrema”, relatou. A estratégia encontrada para trabalhar e preservar a própria segurança foi esconder o crachá e vestir uma camiseta amarela, o que lhe permitiu circular com mais facilidade entre os manifestantes.

Seu primeiro registro, ao chegar à Esplanada dos Ministérios, foi o de um grupo de policiais militares reunidos, na altura da Catedral de Brasília, conversando com um vendedor. “Como é que pode um grupo de policiais não fazer nada no momento em que os principais prédios dos Poderes estão sendo atacados?”, questionou.

Violência

Marina Dias, repórter do Washington Post em Brasília, lembrou que foi cercada por mais de uma dezena de pessoas, levou uma rasteira, caiu no chão, recebeu chutes, teve os óculos quebrados e objetos da bolsa roubados. Para proteger seu material de trabalho, colocou o celular dentro da calça e o segurou com força. “Há três anos conto esse relato e fico emocionada. Eu realmente achei que fosse morrer”, revelou.

Correspondente de um jornal estrangeiro, Marina afirmou que o que mais surpreendeu o público dos Estados Unidos foi a rapidez da reação das instituições brasileiras. “Não importa há quanto tempo exista a democracia de um país: ela é vulnerável, e precisamos estar sempre vigilantes. Nosso trabalho é fundamental para contextualizar as informações e mostrar ao mundo o que está acontecendo.”

Programação especial

A programação do evento contou ainda com a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, instalada no átrio do Espaço do Servidor e aberta ao público, a exibição do documentário com o mesmo nome da mostra e a realização da mesa redonda “Um dia para não esquecer”.

(Suélen Pires/AD)

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