Médico legista afirma que não existe relação entre morte encefálica e o início da vida
Para o diretor de recursos humanos do CAS (Células Tronco Centro de Atualização), Antônio José Eça, “não há relação científica entre morte encefálica e início da vida”. Docente de medicina legal, ele iniciou sua participação na audiência pública afirmando que, atualmente, a ciência define a morte como um processo, que passa pelos estágio do coma, a ausência de reflexos, a ausência de estímulos, o fim da respiração e, por fim, o silêncio encefalográfico por mais de seis horas. Segundo ele, só após esse processo é que se pode garantir que uma pessoa está morta.
Assim, prosseguiu o médico-legista, a definição de morte se traduz em um processo, que tem um encaminhamento de coisas que o acompanham. Apesar de se reconhecer que o fim da atividade encefálica é o momento exato da morte, para Eça “a morte é, na verdade, um processo”.
Da mesma forma é o início da vida, disse ele. “A simples existência do tubo neural não é sinal do início da vida. Esse é também um estágio do processo que dá inicio à vida”. Para o palestrante, desde o momento da fecundação começa o processo da vida.
Para o legista, se a utilização das células tronco adultas está dando certo, ele questiona por que não permanecer com seu uso. Ele lembrou o uso de células embrionárias causa rejeição humana, além do perigo de câncer.
Antônio Eça resumiu seu pensamento: “assim como a morte é um verdadeiro processo, e não um momento, a vida também é um processo que se inicia no momento da fecundação”. Ele finalizou dizendo acreditar, mesmo que muitos digam o contrário, que existe, no meio científico, consenso sobre o fato da fecundação ser o verdadeiro momento do início da vida.
MB/EH

Diretor de recursos humanos do CAS (Células Tronco Centro de Atualização), Antônio José Eça. (cópia em alta resolução)