Exposição no STF mostra fotografias de Gervásio Baptista
Meio século da História do Brasil se confunde com a história do fotojornalismo brasileiro na exposição “Gervásio Baptista: 50 Anos de Fotografia”, que fica aberta ao público no Supremo Tribunal Federal (STF) até o dia 18 de abril.
A exposição traz 45 obras do profissional que tem a credencial de imprensa número 001 do Palácio do Planalto e é um dos mais respeitados fotógrafos brasileiros. Na mostra, os visitantes podem ver fotos já publicadas e bem conhecidas (como a do Presidente Juscelino Kubitschek acenando com a cartola em frente ao Congresso Nacional no dia da inauguração de Brasília) e também de arquivo pessoal. “Uma foto que eu considero, assim, curiosa, é a que eu fiz em Santo Amaro da Purificação: bonde puxado a burro. Na terra do Caetano Veloso”, indica o fotógrafo.
Há nove anos, Gervásio é um dos fotógrafos oficiais do STF, dividindo seu dia com as atividades na Agência Brasil, Radiobrás. Além das fotos de sessões plenárias e visitas oficiais, Gervásio tem em seu portfólio fotos que poderiam ilustrar, sozinhas, um almanaque da história recente da República.
Baiano de Salvador, Baptista começou cedo na profissão. “Comecei com 9 anos. Com 11, já estava matando a bola no peito e fazendo o gol”, como diz o próprio decano do fotojornalismo brasileiro. Gervásio conta que, quando criança, seu brinquedo favorito era uma caixa de fósforos em que ele desenhava um círculo e brincava de tirar retratos. Aos nove anos, começou a trabalhar em um laboratório de fotografia. Logo, aprendeu as técnicas de revelação. Aos 12 anos, foi descoberto por um cliente do laboratório e indicado para trabalhar no jornal O Estado da Bahia, onde começou sua vida no fotojornalismo. De lá, foi para os Diários Associados, trabalhando principalmente na revista O Cruzeiro. Mas foi na revista Manchete, da editora Bloch, que Gervásio passou a maior parte de sua carreira.
O fotógrafo participou da primeira até a última edição da revista. Fotografou políticos, artistas, eventos esportivos, belas mulheres, revoluções. Cobriu até a Guerra do Vietnã, onde seus olhos “viram as coisas mais tristes que alguém pode ver”. Fez fotos “de tudo que você possa imaginar”: foram sete Copas do Mundo, incluindo as três primeiras em que o Brasil foi campeão; 16 anos cobrindo os concursos de Miss Brasil e Miss Universo; todos os presidentes brasileiros desde Getúlio Vargas, dos quais três como fotógrafo oficial: João Goulart, Tancredo Neves (que não chegou a tomar posse) e José Sarney, de quem é amigo até hoje; chefes de estado estrangeiros como a rainha Elizabeth II, da Inglaterra; o presidente francês Charles de Gaulle; o português Craveiro Lopes, os presidentes americanos Dwight Eisenhower, Richard Nixon, Ronald Reagan; e o argentino Carlos Menem. A lista é ainda muito maior.
Parte dessa história é contada em 4.130 verbetes que aparecem no Google quando seu nome é colocado como termo de busca, além de ser, ele próprio, um verbete da Wikipédia. Gervásio também ganhou uma capítulo especial no site da ABI –Associação Brasileira de Imprensa.
A visitação é aberta ao público de segunda a sexta-feira, de 13h às 18h. Já nos sábados, domingos e feriados o horário de visitação é de 10h às 17h30.
HF/EH
Gervásio Baptista: 50 Anos de Fotografia
13 de março a 18 de abril
segunda a sexta-feira, de 13h às 18h
sábados, domingos e feriados de 10h às 17h30
Salão dos Bustos
Supremo Tribunal Federal – Praça dos Três Poderes