Casos relatados pelo ministro Nunes Marques tiveram impacto sobre previdência e investigações criminais

Série especial de matérias mostra decisões emblemáticas de cada ministro, em comemoração aos 37 anos da Constituição de 1988

14/10/2025 16:58 - Atualizado há 7 meses atrás
Ministro Nunes Marques na bancada do STF Foto: Antonio Augusto/STF

Em novembro de 2020, em meio à pandemia da covid-19 – um dos contextos mais desafiadores da história recente –, o ministro Nunes Marques tomou posse no Supremo Tribunal Federal (STF). Natural de Teresina (PI) e oriundo do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), ele foi empossado em uma cerimônia inédita: a primeira realizada por videoconferência, um marco simbólico da capacidade institucional da Corte de se adaptar a novos tempos sem renunciar à tradição.

Desde então, votos do ministro conduziram julgamentos com impacto sobre a previdência social, as investigações de crimes relacionados à Lei de Lavagem de Dinheiro e as novas relações de trabalho. Confira:

Revisão da vida toda

Como relator, o voto do ministro conduziu o julgamento, em março de 2024, das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 2110 e 2111, em que o Plenário afastou a aplicação da chamada “revisão da vida toda” aos benefícios de aposentadoria. O Supremo entendeu que a regra de transição criada pela Lei 9.876/1999 é de aplicação obrigatória.

Na prática, não cabe ao segurado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) escolher critério diferente, com a possibilidade de considerar a receita salarial anterior ao ano de 1994 (marco da implementação do Plano Real). Para Marques, a norma respeita a isonomia entre os contribuintes e assegura a previsibilidade necessária ao sistema previdenciário.

Novas formas de trabalho

No julgamento da ADI 5625, o Plenário seguiu o voto do ministro Nunes Marques e validou a Lei do Salão Parceiro (Lei 13.352/2016), que permite a contratação de trabalhadores do ramo da beleza – cabeleireiro, barbeiro, esteticista, manicure, pedicure, depilador e maquiador – por meio de parceria.

Na ocasião, em outubro de 2021, o ministro entendeu que a norma não viola os princípios da dignidade da pessoa humana nem o da valorização do trabalho. A seu ver, a legislação acolhe uma solução econômica nascida na própria comunidade profissional envolvida, tornando os profissionais parceiros na prestação dos serviços, “o que representará para eles remuneração mais vantajosa que um salário previamente fixado, além de alta dignificação profissional”.

Ele ressaltou, no entanto, que os contratos de parceria que dissimulem relação de emprego serão considerados nulos, com base no princípio da primazia da realidade, previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “O desvirtuamento da lei haverá de ser reprimido nos casos concretos, se e quando ocorrer”, afirmou.

Compartilhamento de dados cadastrais

Em junho de 2021, o ministro relatou a ADI 4906, em que o STF validou o dispositivo da Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei 9.613/1998) que autoriza o Ministério Público e a polícia a requerer dados cadastrais de investigados diretamente às empresas de telefonia, sem necessidade de ordem judicial.

No voto, Nunes Marques ressaltou que informações como nome, filiação e endereço são fornecidas pelo próprio usuário ao firmar contrato com a operadora e não estão protegidas por sigilo judicial. Segundo o ministro, a tutela do direito à privacidade, que garante às pessoas o poder de excluir certas informações do âmbito público, não alcança informações cadastrais, “as quais, em regra, não são hábeis a ferir a integridade moral do indivíduo”.

(Cezar Camilo/AD/CF)

Acompanhe as matérias da série especial:

06/10/2025 – Decisões de relatoria do ministro Dias Toffoli modernizaram entendimento do STF sobre defesa da honra, direito ao esquecimento e federalização de crimes
07/10/2025 – Julgamentos relatados pela ministra Cármen Lúcia marcam defesa da liberdade e dos direitos humanos
09/10/2025 – Ministro Flávio Dino relata casos que buscam transparência no uso de recursos públicos e visão global para enfrentar problemas ambientais
10/10/2025 – Ministro Barroso e a Constituição Cidadã: 37 anos de direitos na prática
13/10/2025 – Ministro Fux relatou processos que asseguraram moralidade no processo eleitoral e pluralidade de relações familiares
15/10/2015 – Processos relatados pelo ministro Alexandre de Moraes asseguraram proteção a grávidas e lactantes e à população de rua
16/10/2025 – Preservação do Pantanal e celeridade em partilha de bens foram temas de destaque relatados pelo ministro André Mendonça
17/10/2025 – Processos de relatoria do ministro Gilmar Mendes garantiram direitos fundamentais e segurança jurídica
20/10/2025 – Ministro Cristiano Zanin: defesa dos direitos fundamentais marca atuação no STF


Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga. Conteúdo acessível em Libras usando o VLibras Widget com opções dos Avatares Ícaro, Hosana ou Guga.