Antecipação de parto de anencéfalos é consenso entre ginecologistas
O médico Jorge Andalaft Neto, que representou a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) na audiência pública sobre anencefalia, afirmou na manhã desta quinta-feira (28) que há “grande concordância” entre ginecologistas sobre a interrupção da gravidez de fetos com malformação cerebral. Segundo ele, pesquisa realizada entre 4.320 ginecologistas da Febrasgo mostra que 83,5% consideram que esse tipo de gestação representa um risco físico e mental para as grávidas e deve ser evitado.
Ainda segundo o médico, que é professor titular de obstetrícia e ginecologia da Universidade de Santo Amaro (Unisa), em São Paulo, e doutor em obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), as sociedades internacionais de ginecologia e obstetrícia também concordam que os riscos à saúde da mulher justificam a retirada dos fetos, e o Judiciário não deveria ser um empecilho.
Andalaft informou que a malformação cerebral é mais freqüentemente diagnosticada no primeiro trimestre da gestação e que o avanço tecnológico tem permitido diagnósticos cada vez mais precoces. Segundo ele, estudos mostram que a anomalia tem incidência significativa e, depois que a mãe é informada do problema, “começa uma situação dramática tanto para as mulheres quanto para os profissionais”.
“Precisamos saber conduzir cada caso de anencefalia”, alertou o médico. Entre os perigos que as grávidas correm estão o significativo aumento de morbidade (conjunto de causas capazes de produzir uma doença) e de riscos obstétricos no parto e no pós-parto.
O médico citou estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) com 80 grávidas de anencéfalos que indicou variações do líquido amniótico em 50% das mães, hipertensão e diabetes em 9,3%, parto prematuro em 58%, gravidez prolongada em 22%, descolamento placentário e7%, óbito intra-uterino em 7%, necessidade de transfusão de sangue em 4,8% das mulheres no pós-parto e perda do útero em 4%. O estudo constatou que somente 2,8% das mulheres não apresentaram algum tipo de problema relacionado com a gravidez.
Andalaft também ressaltou o forte impacto psicológico sofrido pelas mães, que se culpam, desejam a própria morte e correm oito vezes mais risco de sofrer depressão que mulheres com gravidez normal. Segundo ele, uma pesquisa do Ibope mostra que a população é mais favorável ao aborto de fetos com malformações incompatíveis com a vida (76%) do que ao aborto em casos de estupro (62%).
RR/LF