Presidente do STF e do CNJ participa da instalação do Programa Destrava no Rio Grande do Sul

Iniciativa busca viabilizar a retomada de obras paralisadas; Comitê Estadual do Destrava reunirá 18 órgãos e entidades

06/11/2026 18:56 - Atualizado há 4 minutos atrás
Fotografia da mesa de autoridades no lançamento do programa. Ministro Edson Fachin no centro falando aos presentes. Foto: Ana Araújo/CNJ

Com o compromisso de transformar a cooperação institucional em entregas concretas para a população, foi instalado, nesta sexta-feira (6), o Comitê Estadual do Programa Destrava no Rio Grande do Sul. A cerimônia, realizada no Palácio da Justiça, em Porto Alegre, reuniu representantes das 18 instituições que integram o comitê estadual. São lideranças do Poder Judiciário, de órgãos de controle, dos Ministérios Públicos e de representantes municipais que assinaram os termos de adesão.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, destacou a importância da iniciativa coordenada entre as instituições. “Uma obra pública paralisada não é apenas uma construção inacabada. É um direito que ainda não chegou ao seu destinatário. É a escola que não abriu suas portas, a creche que não acolheu suas crianças e a unidade de saúde que não recebeu seus pacientes”, ressaltou Fachin, reforçando também a capacidade de resiliência e solidariedade do povo gaúcho após os graves eventos climáticos vividos pelo estado.

O ministro destacou que o sucesso do programa será medido pela capacidade de transformar a cooperação institucional em resultados concretos.

Do total de 631 empreendimentos identificados no estado, 558 são da área da saúde, 43 da educação básica e 30 obras de instituições federais de ensino. Porto Alegre concentra o maior número de obras paradas, com 59 registros, seguida por Canoas (24), Pelotas e Rio Grande (23 em cada), Santa Maria (19), Gravataí (17) e Caxias do Sul (16). O levantamento integra o planejamento nacional do Destrava para o período de 2026 a 2027, que inclui o Rio Grande do Sul entre os estados prioritários.

Compromisso

Para o presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), desembargador Eduardo Uhlein, a iniciativa representa um compromisso do Judiciário com a efetivação de direitos que ultrapassa a atuação nos processos judiciais. “Estes números revelam um alarmante desperdício de dinheiro público e agridem o cidadão duas vezes: primeiro por pagar por obras via impostos, e segundo por não ser beneficiado por elas. A Justiça também se realiza fora dos autos dos processos, na sustentação do compromisso social do Judiciário com a cidadania”, afirmou.

O presidente do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE-RS), conselheiro Iradir Pietroski, reafirmou o compromisso do órgão com a busca de soluções para as obras paralisadas. Ele recordou os desafios enfrentados durante as enchentes de 2023 e 2024, que exigiram respostas rápidas dos gestores públicos e dos órgãos de fiscalização. Somente em 2024, as cheias atingiram 459 dos 497 municípios gaúchos. “O anúncio de implementação do Programa Destrava em nosso estado é um alento e uma esperança de que obras fundamentais se tornarão realidade em pouco tempo”, afirmou.

Representando o Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Weder de Oliveira ressaltou que a solução para o problema das obras inacabadas exige coordenação entre diferentes instituições. “Nenhuma instituição, por maior que seja a sua capacidade técnica, resolve sozinha um problema tão complexo que persiste há décadas”, afirmou. Ele explicou que o TCU exercerá a coordenação regional do programa, apoiando a definição de prioridades e o acompanhamento das obras.

Assim, sob coordenação do TCU, o Comitê Estadual do Destrava reunirá 18 órgãos e entidades. A articulação engloba instâncias federais e estaduais do Judiciário (TRF-4 e TJRS), Ministérios Públicos (MPF, MPRS e MP de Contas), órgãos de fiscalização e controle (CGU, AGU), governo estadual (Casa Civil), Caixa Econômica Federal, além de OAB/RS, CREA-RS, Sinduscon-RS, Famurs, Cosems/RS e conselhos setoriais.

A atuação conjunta buscará superar dificuldades administrativas, contratuais, financeiras e jurídicas que impedem o andamento das obras, sem afastar as responsabilidades legais de cada órgão. “É essa a essência do Destrava: substituir a atuação isolada pela cooperação, sem afastar as responsabilidades de cada instituição”, destacou Fachin.

A partir da adesão, os municípios deverão prestar informações atualizadas sobre a situação dos empreendimentos e contribuir para a elaboração de planos de retomada. O trabalho incluirá a identificação de prioridades, a definição de encaminhamentos e o acompanhamento das medidas pactuadas. A iniciativa não prevê transferência direta de novos recursos pelo CNJ, mas oferece apoio técnico e institucional para a construção de soluções juridicamente seguras.

Ampliação

Criado em 2020, o Programa Destrava foi retomado e ampliado em 2026, com a participação de instituições federais e estaduais. O levantamento nacional apresentado pelo TCU aponta aproximadamente 11 mil obras paralisadas no país, cerca de 70% delas relacionadas à saúde e à educação. A nova etapa prioriza esses setores e busca assegurar que os investimentos já realizados se convertam em serviços efetivamente disponíveis à sociedade.

A instalação no Rio Grande do Sul marca o início da expansão dos comitês estaduais do programa. O ministro Fachin assegurou que a iniciativa avançará para outras regiões do país a partir de 2027, ampliando a articulação com instituições locais e municípios que possuem obras paralisadas. Dessa forma, será consolidada uma rede de cooperação capaz de transformar empreendimentos inacabados em equipamentos públicos em funcionamento.

Agência CNJ de Notícias

Presidente do STF durante lançamento do Programa Integrado para Retomada de Obras Públicas - Destrava - no Rio Grande do Sul - 06/11/2026

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